deputado ensina a comprar votos e difamar adversários

Aelton Freitas disse que tudo não passou de uma ‘brincadeira’
O deputado federal Aelton Freitas (PR-MG) foi gravado em um vídeo ensinando como se disputa uma eleição comprando votos e difamando adversários políticos durante a reta final das eleições de 2012 em Capetinga, interior de Minas Gerais. Na gravação, o parlamentar, que já foi senador no lugar do ex-vice-presidente da República José Alencar, dá uma “aula” para outros políticos da cidade. As informações são do Fantástico, que denunciou o fato na noite do último domingo (21).
A “primeira lição” é a compra de votos, por meio da técnica do “cartãozinho”:
Imagem: Reprodução (Vídeo)“Nós vamos fazer 200 cartõezinhos para prefeito. Não quer dizer nada, 200 cartõezinhos. E nós vamos pegar 20 amigos nossos confiáveis. Quem é da confiança? Vinte. Então você vai ter dez, você vai ter dez, você vai ter dez. Você vai buscar dez companheiros seus lá e que não estão votando no Donizete (Donizete do Escritório, candidato a prefeito). Esse cartãozinho vale R$ 100. O cara não vai votar em você. Vai votar nos R$ 100 que o cartãozinho que está no bolso dele vale. E outra: só vão pagar se tiver sido eleito”, diz ele, que também ensina como espalhar boatos dos adversários. “Vamos buscar três, quatro pessoas dentro do nosso grupo que saiba incomodar o Daniel (um dos candidatos a prefeito). Três ou quatro pessoas que possam estar em boteco ou em ponta de rua soltando boato e fofoca. Porque o Daniel tem que desmentir e perder tempo naquilo. Não você. A cúpula da campanha, que está por cima, nem conhece. Baixa o retrovisor e esquece que tem concorrente. Vocês estão indo em uma viagem ao futuro de Capetinga, pronto”, ensina no vídeo.
Imagem: Reprodução (Vídeo)Aelton também explica na gravação que retribui a votação usando a verba das emendas parlamentares para favorecer os municípios onde obteve mais votos. No vídeo, o deputado federal afirma que o dinheiro só pode ser pago depois da vitória do candidato. Uma eleitora afirma que Donizete, que acabou perdendo a eleição, pagou adiantado: “O candidato Donizete pensou que já tinha ganhado a eleição. Aí ele resolveu pagar o pessoal uma semana antes porque ele ‘contou’ vitória. Eu ganhei R$ 200 no cartãozinho”. Eleitores dizem que a compra de votos é comum na região. “Dá cesta básica, dá material de construção, dá bujão de gás, dá o que pede”, diz uma aposentada. Donizete do Escritório negou as acusações e disse que “não tinha motivos” para comprar os votos, pois estava na frente nas pesquisas.
Imagem: Reprodução (Vídeo)Aelton, por sua vez, justificou que não sabia que estava sendo gravado. “Em reuniões fechadas, quando a gente faz com um grupo de companheiros, de repente a gente fala muita coisa que não deve, que não pode. O que eu falei ali foi em uma reunião fechada, entre companheiros, que nem gravando eu sabia que estava”, explicou. Ele afirmou que nunca comprou votos e tudo não passou de uma “brincadeira”. “Fiz alguma brincadeira, que eu sou muito de contar piada em reuniões, depois pedi desculpas no final da reunião pelo que eu tinha falado e pelas brincadeiras de mau gosto, me despedi e fui embora. Porque, quando é brincadeira, pode fazer de mau gosto, igual quando você brinca, às vezes, com a raça, com a cor de uma pessoa, você conta uma piada pesada, aquilo pode se tornar um processo”.
Imagem: Reprodução (Vídeo)Uma cópia do vídeo foi entregue anonimamente ao Ministério Público em Minas, que enviou o material para a Procuradoria Geral da República.
 Fonte: Terra

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