Mão Santa, franco-atirador

Por:Zózimo Tavares
O ex-senador Mão Santa tem tudo para concretizar sua candidatura ao Governo do Estado, como terceira via, na oposição. Se isso vier a ocorrer, ele entrará na campanha na condição de franco-atirador. Os dois principais concorrentes dele, o senador Wellington Dias (PT) e o deputado federal Marcelo Castro (PMDB), já estiveram em seu palanque em campanhas passadas.
Em seu primeiro mandato de governador, entre 1995 e 1999, Mão Santa retirou Marcelo Castro do ostracismo político. Depois de exercer três mandatos de deputado estadual, conquistados nas eleições de 1982, 1986 e 1990, Marcelo estava desencantado com a política e, segundo se informa, decidido a pendurar as chuteiras.
Mão Santa, eleito pelo PMDB, o convocou para o Iapep, deu-lhe carta branca e, em 1998, Marcelo se elegia para a Câmara Federal com votação consagradora. Daí para frente renovou o mandato sempre com votação crescente. Em 2010, obteve 170 mil votos. Ah! Ele ainda foi secretário de Agricultura de Mão Santa no segundo governo (1999-2001).
Wellington Dias deve muito de sua primeira eleição de governador a Mão Santa, que montou para ele o palanque de 2002. O PT era um partido sem expressão eleitoral no Estado. Mão Santa acabara de ter o mandato de governador cassado pela Justiça Eleitoral e apresentou-se ao eleitorado como vítima. Naquele pleito, Wellington se elegeu para o governo com 688.278 votos e Mão Santa se elegeu senador com 664.600 votos. Votação casada, como se diz.
Depois, nas eleições de 2006, Mão Santa enfrentou Wellington Dias e Marcelo Castro duas vezes. A primeira foi na convenção do PMDB. Venceu. A segunda foi nas urnas. Perdeu. Foi esmagado pela máquina na campanha para o governo. Foi vítima da máquina outra vez na eleição para o Senado, em 2010.
Se conseguir limpar a área, como está planejando, Mão Santa enfrentará o senador e o deputado no mano a mano. O seu sobrinho Zé Filho deve assumir o governo em abril e ele vai exigir dele uma postura de magistrado na campanha. Ou seja, que ele não jogue a máquina para eleger Marcelo. Wellington já perdeu o governo do Estado na virada do ano.
Hoje filiado a um partido minúsculo, o PSC, o que falta a Mão Santa é o apoio de lideranças. Era também o que lhe faltava quando começou sua vitoriosa campanha de 1994.

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