CANSAMOS DE PROMESSA! O que Dilma vem fazer no PI?

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O Piauí agora vai! Este é o sentimento que se depreende da leitura de jornais que circula em Teresina. Num deles, a presidente Dilma Roussef (PT), que estará na capital piauiense na próxima terça-feira, dia 18, anunciará recursos de R$ 250 milhões para mobilidade urbana, mais especificamente para melhoria do metrô.no outro, serão R$ 400 milhões para a mesma finalidade.

No começo da semana passada, o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP e donatário do Ministério das Cidades, declarou que a vinda da presidente teria como objetivo anunciar recursos de R$ 700 milhões. Um começo desalentador para quem analisa a presença de um chefe da nação em solo piauiense. Principalmente se verificar o histórico desta mesma situação.

Há indicações claras de que se trata apenas de uma movimentação de campanha, sem maiores desdobramentos futuros. E nem cobranças. O Piauí tem sido negligenciado historicamente pelos governantes. Mas, no caso do PT e de Dilma, trata-se de um verdadeiro absurdo que isso esteja acontecendo. Dilma foi eleita em 2010 com uma maioria arrasadora sobre o segundo colocado, o tucano José Serra.

No primeiro turno ela conquistou 1.088.205 votos contra 339.445 atribuídos ao seu oponente. No segundo turno, ela obteve 1.112.380 contra 477.092 do outro candidato. O discurso era de que ganharia para transformar completamente a realidade piauiense. No dia 13 de outubro de 2010, na campanha do segundo turno, ela finalmente veio ao estado pela primeira vez, depois de negligenciá-lo por todo o movimento inicial da disputa. Naquele momento ela chegou a ser ameaçada pelo seu adversário que começou a jornada com ligeira maioria nas pesquisas.

Ela então precisava se movimentar e escolheu o Piauí como ponto de partida por ser um dos estados mais pobres da Federação e único que não tem recebido investimentos substanciais do governo federal. Na gestão petista essa realidade se mostra ainda mais arrasadora. Dilma, que foi ministra das Minas e Energia, não garantiu fornecimento de energia em quantidade e qualidade suficientes para atender a demanda. Que o digam os empresários piauienses, que enfrentam problemas de toda ordem para garantir o funcionamento dos seus empreendimentos. Que o digam os proprietários residenciais que a todo instante veem equipamentos queimarem por conta das constantes oscilações de energia.

NA BASE DA PROMESSA…
Segundo o presidente da Associação Industrial do Piauí, Joaquim Costa Filho, não se pode sequer levar a industrialização para o interior. Na capital, o sistema é sofrível. Dilma tem anunciado investimentos que não se materializam. Isso acontece porque a população piauiense simplesmente não apela, não protesta. Pelo menos, não como deveria. O deputado Deusimar Brito, o Tererê (PSDB), afirma que numa cidade do interior toda vez que acontece um show e que os equipamentos são ligados na rede elétrica a primeira coisa que acontece é faltar energia. “A presidente Dilma não garante energia de qualidade ao piauiense. Se uma coisa dessas acontecesse no Rio de Janeiro, seria um verdadeiro tormento. Mas como é no Piauí, fica sempre por isso, vai-se encaminhando a coisa na base da promessa…”, enfatiza.

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REIVINDICAÇÕES CONTUNDENTES
O presidente do Sinduscom (Sindicato da Indústria da Construção Civil), André Baia, manifesta preocupação com a questão. Segundo ele, a Eletrobrás enfrenta um problema crônico de falta de investimento. “Não atende nem residências a contento, quanto mais ao setor empresarial e industrial.” Baia disse que tomou conhecimento de que recursos da ordem de R$ 380 milhões que estavam assegurados em um fundo chamado RGR (Reserva Global de Reversão) teriam sido sacados e destinados a outras finalidades. Por outro lado, enfatiza que o estado precisa urgentemente desenvolver novas matrizes energéticas, a exemplo do gasoduto. “Outros estados já utilizam esse tipo de matriz com tranquilidade enquanto no Piauí sequer existe.” André Baia diz que o setor industrial está realmente preocupado com toda esta situação e a vinda da presidente da República será utilizada para que se apresente reivindicações contundentes.

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NÃO TEM ENERGIA NEM A ‘BÁSICA’
Quase 12 anos de gestão petista depois, não se tem energia sequer para um fornecimento regular. Não existe um dia em que não falte o fornecimento em algum bairro da capital. Em bairros importantes, os empreendedores utilizam-se de geradores próprios. Um empresário que pede reserva do nome afirma que se não fosse este gerador já teria ido a falência. O equipamento custou aproximadamente R$ 40 mil. Segundo ele, o piauiense é de boa fé, por isso a presidência da República se aproveita. A presidente Dilma sabe que não precisa enviar os recursos, basta prometer que todos ficarão muito alegres e agradecidos simplesmente com o anúncio. Isso aconteceu na campanha presidencial em larga. Em sua vinda ao estado ela garantiu que iria investir em melhorias substanciais para o estado. Iria resolver os problemas de energia elétrica, estradas e saúde.

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E A PROMESSA FEITA PARA ELMANO?!
O prefeito Elmano Ferrer (PTB) ficou em maus lençóis ao anunciar seu apoio à campanha da presidente. Ela declarou na Rádio Teresina FM que estava apoiando a eleição de Dilma em troca de investimentos para a capital. O então ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, esteve por aqui e disse que seriam liberados, de imediato, recursos para a construção do sistema de drenagem da zona leste. Na madrugada deste sábado a avenida Presidente Kennedy foi transformada num verdadeiro “piscinão” por conta de uma chuva de algumas horas. O mesmo aconteceu com artérias importantes da região como avenidas Jóquei Clube e Nossa Senhora de Fátima. O sistema de drenagem nunca se materializou, seguindo caminho idêntico ao do sistema elétrico, para o qual foram anunciados recursos de R$ 900 milhões em 2011, primeiro ano de governo da presidente Dilma. Em 2012, a construção de um simples viaduto na avenida Higino Cunha, cruzamento com a Marechal Castelo Branco, praticamente não se viabiliza por absoluta carência de recursos. A obra custava apenas e tão somente R$ 8 milhões, mesmo assim a prefeitura enfrentou dificuldades para sua conclusão por conta da carência de dinheiro. Agora, fala-se novamente em grandes somas de recursos e a população, pelo visto, ficará apenas ouvindo e confirmando.

Repórter: Toni Rodrigues

Publicado Por: Allisson Paixão

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