Promotor se diz satisfeito, mas vai recorrer por pena maior a Bruno



Bruno é condenado a 22 anos pela morte de Eliza Samudio; ele só poderá pedir o semiaberto em 2017

O promotor Henry Wagner Vasconcelos disse que está satisfeito com a condenação do réu, mas decidiu recorrer da sentença de 22 anos e 3 meses imposta ao goleiro Bruno nessa quinta-feira, 7, no julgamento no Fórum de Contagem, em Minas Gerais. Os crimes, segundo Wagner, foram cometidos “em razão do mando dele [Bruno] e igualmente em razão das ponderações do mesmo acusado, pelos delitos de sequestro de seu filho com Eliza Silva Samudio, e de ocultação do cadáver dela, após seu bárbaro, cruel e covarde assassinato”. A outra acusada, Dayanne Rodrigues do Carmo, foi absolvida, por 4 votos a 3, assim como havia sido solicitado pela Promotoria.
Com a pena anunciada nessa madrugada, o ex-goleiro do Flamengo poderá pedir o regime semiaberto daqui a ao menos quatro anos e cinco meses, em 2017, explica o criminalista Antonio Carlos Mariz de Oliveira — o cálculo é feito com base na pena específica do homicídio, de 17 anos e seis meses; por ser um delito classificado como hediondo, ele exige que ao menos dois quintos da condenação sejam cumpridos em regime fechado, sete anos portanto. O tempo que Bruno já passou na cadeia, dois anos e sete meses, é descontado desse período, e o prazo pode ser encurtado caso o atleta trabalhe.

Em um pronunciamento ao final do julgamento, Henry Wagner afirmou que “a Promotoria de Justiça também se orgulha da obtenção da justa absolvição de Dayanne Carmo pelo sequestro de Bruno Samudio a ela imputado, por entender que ela, ao colaborar para o sequestro da criança, o fez em situação de coação moral irresistível, que tornou irresistível a ela comportar-se em conformidade com o direito e com a lei”.
Sem responder às perguntas dos jornalistas, ele prosseguiu: “A Promotoria de Justiça está com sua tarefa cumprida e buscará no mês de abril, num julgamento que se dará no dia 22, a condenação do executor do assassinato e da ocultação ou destruição do cadáver de Eliza do réu Marcos Aparecido dos Santos, com a mesma precisão e veemência com que atuou no julgamento desta semana e no julgamento da última semana do mês de novembro do ano passado”.
O promotor informou ainda que vai recorrer por considerar a pena baixa. “A Promotoria de Justiça, diante da pena de 22 anos e três meses aplicada ao réu Bruno Fernandes, não obstante o irrestrito respeito que tenho pela doutora Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, pela digna sentenciante que é, sabe todos os argumentos que a conduziram na dosagem das penas, recorrerá ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais para buscar uma somatória de penas mais acentuada ao acusado por entender que a gravidade, a situação de sua culpabilidade, está a recomendar penas mais severas”. Ele concluiu dizendo que esperava um “somatório de penas que tangenciasse 28 a 30 anos de prisão”.
Com a admissão de Bruno de que Eliza foi assassinada — e ele foi informado do que ocorreu –, a defesa se distanciou da linha inicial de argumentação, em que destacava não haver corpo e realçava dúvidas sobre o próprio assassinato. Os defensores de Bruno chegaram a falar em uma pena “em torno de dez anos”, por uma “participação menor” no crime e pediram reiteradamente aos jurados que fizessem “Justiça”.
O advogado Lúcio Adolfo destacou que “a imprensa” já havia sentenciado os réus e “esperava a condenação” também por parte do conselho de sentença. Na sequência, distribuiu vendas às cinco mulheres e dois homens do júri, lembrando que a Justiça “é cega”.
Palavras de Bruno. “Então a justiça é isso aí?”. Foi assim que Bruno se manifestou ao seu advogado quando soube da sentença. Apesar de ter ficado bastante decepcionado, Adolfo disse que ele agradeceu e elogiou seu trabalho. “Eu fiquei decepcionado, ele ficou, a Ingrid [mulher de Bruno] ficou”, afirmou. O advogado informou que entrou imediatamente após o encerramento da sessão com recurso para tentar anular o julgamento.
A mãe de Eliza, Sônia Moura, também não gostou da sentença. Para ela, 22 anos de prisão é pouco para o que Bruno fez. Ela criticou ainda a absolvição da ex-mulher de Bruno, Dayanne do Carmo, do crime de sequestro e cárcere privado de Bruninho. “Dayanne não é nenhuma santinha, não. Nós já estamos recorrendo das duas decisões”, afirmou Sônia, para quem ainda não foi feita Justiça.

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